As mensagens de Natal muitas vezes trazem a imagem cristã de um menino na manjedoura. Entretanto, raríssimas vezes as pessoas se lembram das crianças que habitam seu próprio interior.
Tag: Osho

A criança interior, segundo Osho
Ao criar minha mensagem pessoal, neste Natal de 2018, para divulgá-la através de algumas redes sociais como o Instagram, o Facebook, o Twitter, e no WhatsApp, resolvi homenagear este aspecto de meu ser com o qual me sinto profundamente conectado: minha criança interior.Ao invés de buscar uma imagem convencional, como é comumente feito, com uma criança na manjedoura, pinheiros decorados com luzes reluzentes, papai noel gordo e trenós “voadores”, optei pela imagem de uma criança ‘pobre’, de cabelos crespos e olhar inocente.
A ‘provocação’ surtiu algum efeito, já que algumas pessoas que nunca se depararam com a informação de que temos uma criança dentro delas, perguntaram a respeito.
Para responder a elas, escolhi uma fala do Osho, que responde a uma pergunta do Sw. Anand Gogo, publicada no livro “The Rebellious Spirit” (O Espírito Rebelde, em tradução livre, não publicado no Brasil), traduzida para o português pelo Sw. Bodhi Champak.
Próxima página (2): O Espírito Rebelde >>>

Nenhuma disciplina, mas toda consciência
“Não dou nenhuma disciplina a meus discípulos, não os moldo em nenhum tipo de caráter, padrão e obrigações. Não lhes dou nenhum ideal.” – Osho
Hoje o Facebook me lembra, que há exatamente cinco anos publiquei o seguinte texto do Osho em minha timeline:
“Não dou nenhuma disciplina a meus discípulos, não os moldo em nenhum tipo de caráter, padrão e obrigações. Não lhes dou nenhum ideal. Simplesmente lhes dou algo pequeno que precisa ser alimentado em seu corações: sejam mais alertas!”*
Faça o que quiser, mas faça com mais consciência! Transforme cada oportunidade em uma estratégia para se tornar mais consciente! E logo mais e mais consciência fluirá em você, o inundará, mais do que você se mobilizou a atingir.
Então, você perceberá as mãos do divino o auxiliando. Uma vez percebidas essas mãos, surge a confiança. Então, você perceberá que não está sozinho; todos os que se iluminaram estão lhe dando suporte.Este é o maior ato altruísta que alguém pode fazer: tornar-se consciente! Pois, ao tornar-se consciente, você libera consciência à existência, consciência viva novamente liberada…
A quantidade total de consciência se eleva no mundo sempre que alguém fica alerta. No dia em que a quantidade total de consciência no mundo superar a quantidade total de inconsciência, haverá uma grande mudança universal. Neste dia, toda a humanidade dará um salto quântico, e este dia está se aproximando. Se as pessoas se empenharem firmemente, o dia está se aproximando…” – Osho, em The No Book (No Buddha, No Teaching, No Discipline), 1981, livro ainda não traduzido para o português.
Bodhi Champak, companheiro de sannyas, escreveu as seguintes “Reflexões a Respeito de um Texto do Osho” em seu blog:

Osho “A primeira coisa que me salta aos olhos nessa fala do Osho é que ele está falando para mim, ele está falando para você que está lendo este meu escrito. Ele não está falando para alguém distante, ele não está escrevendo uma tese, não está divagando sobre conceitos filosóficos, nem está falando para a multidão. Ele está falando diretamente para o coração de um público seleto.
E quem se importa com o que Osho fala? Quem é tocado pela sua mensagem? Será que somos uns vinte mil aqui no Brasil? Ou uns quarenta mil, entre discípulos, amigos, leitores assíduos de seus livros, pessoas que passaram por terapias nele inspiradas… Será que somos cem mil?
De qualquer forma, somos um público restrito, num país de quase duzentos milhões de habitantes. E o mesmo ocorre em todo o mundo.
Ele com sua autoridade de iluminado nos diz textualmente que o “maior ato altruísta que alguém pode fazer, é tornar-se consciente”. E será que ao menos sabemos o que é ser “consciente”? Será que basta a leitura de textos do Osho para nos tornarmos conscientes? Sabemos ao menos a diferença entre consciência e mente consciente? Conhecemos por nossa própria experiência a diferença entre nosso Centro Observador e nossa mente observadora?
Esse conhecimento é experiencial, ou seja, ele advém da experiência meditativa, dos experimentos científicos que fazemos em nosso próprio interior. Esse conhecimento nos chega através da meditação. É exercitando nossa pesquisa direcionada ao nosso interior que pouco a pouco nos habilitamos a reconhecer nosso Centro Observador, podemos começar a ter um gostinho do que é estar no aqui-e-agora e saber o que é estar presente. A meditação é a ferramenta.
Mas, palavras como meditação, aqui-e-agora, centro observador, todas elas são palavras bonitas e fáceis de serem repetidas. E é aqui que surge a diferença entre quem apenas repete essas palavras bonitas, quem até se “apaixona” pelas frases poéticas do Osho, quem gosta de fazer parte das tribos ditas místicas e esotéricas, e aqueles que realmente mergulham na meditação.
Por isso um dia Osho disse que o mala, a roupa ocre e um nome iniciático não fazem de alguém um sannyasin. A grande mudança universal de que Osho nos fala não cairá dos céus, não será um presente dos deuses.
Osho nos fala de nossa responsabilidade com nossa mobilização para estarmos conscientes. Sim, nessa mobilização sentiremos as mãos do divino. Mas para isso temos que estar nos mobilizando. Essa mobilização tem um nome: meditação.
Meditação não é uma causa a ser defendida por uma tribo mística, não é a bandeira de um movimento, não é uma movimentação externa. Meditação diz respeito ao indivíduo. É um mergulho meu dentro de mim mesmo. Embora possa ser praticada em grupo, ainda assim é um experimento individual.
Para meditarmos precisamos de técnicas, embora Osho nos advirta que a técnica não é meditação, mas ele também nos diz que sem a técnica não chegaremos a lugar algum.
Para meditarmos precisamos de uma iniciação, de um aprendizado. É um processo de experimentações que se sucedem. E é muito bom quando temos oportunidades para troca de experiências, para que uns possam compartilhar com os outros suas descobertas, suas dúvidas.

Bodhi Champak e Nirava Meditação é uma prática a ser incorporada ao nosso dia-a-dia. E é um longo processo que se estende por anos, anos e anos.
Ao longo desses anos, meditando com regularidade, nossa meditação vai crescendo e nós crescemos junto com ela. E nem tudo são flores: passamos por experiências de profunda paz e por experiências dolorosas, ora estamos em êxtase, ora estamos angustiados. É um aprendizado onde caímos e nos levantamos várias vezes.
Na medida em que nossa consciência cresce, nosso ego vai se desmontando. E isso é doloroso. Leva um tempo até nos desprendermos e nos desidentificarmos das armadilhas da mente, do ego, dos apegos, das projeções, das ilusões, das crenças. É um processo longo que requer paciência e persistência.
Às vezes nos sentimos fracassados por não chegarmos a lugar algum e jogamos tudo para o ar. Passamos um tempo sem querer falar em meditação. Mas se existe um real chamamento dentro de nós, se existe esse questionamento interno de ‘quem sou eu?’, se existe essa busca, então não há como escapar: após um tempo retornamos a esse caminho sem caminho, sem trilhas, que é a meditação.
Este é, de fato, um processo científico voltado para dentro de nós mesmos. É nesse processo que se dá a aprendizagem da meditação e é só nesse processo que podemos vir a alcançar a compreensão vivencial do que é consciência, do que é estar presente no aqui-e-agora. É nesse processo que posso chegar a saber ‘quem sou eu’, além da mente, além do ego.
O caminho é longo, mas, depois de um certo tempo, começamos a perceber que já não somos o mesmo de antes; depois de um tempo nos percebemos cada vez mais quietos, mais silenciosos, mais serenos.
Sem meditação, todas essas lindas palavras serão apenas lindas palavras sem qualquer significado. Com a meditação, elas se transformam numa linda aventura, nós nos transformamos e elas trazem significado à nossa vida.”.
Bodhi Champak
Sannyasin do Osho desde 1986″É bem provável que Champak, ao jorrar sua experiência no texto acima, o tenha publicado no dia anterior à divulgação em seu blog, no Facebook.
Para honrar a inspiração, que por descuido ou desleixo deixei de incluir quando repliquei o texto em meu perfil no Facebook, publico aqui, além da citação incluída em meu perfil no Face, o texto completo, que é uma verdadeira pérola de inspiração para todos os que se interessam pelo processo de se tornarem conscientes através da meditação.
Agradeço a você, querido Champak, por tantos outros textos e comentários sobre falas do Osho que sempre me inspiram a ir mais fundo dentro de mim mesmo.
*Hoje, 24/02, ao reler o texto, resolvi fazer modificar a tradução proposta pelo Champak, que pode ser lida em seu blog e a inserir a fonte, que encontrei no formato PDF.

Comemorar o sofrimento pode te ajudar a sair dele?

O amor se torna apego porque não existe nenhum amor
Osho, você disse que o amor pode nos tornar livres. Mas comumente nós vemos que o amor se torna apego, e ao invés de nos libertar ele nos torna mais amarrados. Assim, diga-nos alguma coisa sobre apego e liberdade.O amor se torna apego, porque não existe nenhum amor. Você estava apenas num jogo, enganando a si mesmo. O apego é a realidade; o amor era apenas um prelúdio. Assim, sempre que você se apaixona, mais cedo ou mais tarde, você descobre que você se tornou um instrumento – e, então, toda a miséria começa. Qual é o mecanismo? Por que isso acontece?
Há alguns dias, um homem veio a mim e ele estava se sentindo muito culpado. Ele disse: “Eu amei uma mulher, eu a amei muito. No dia em que ela morreu, eu estava chorando e pranteando, mas de repente eu me tornei consciente de uma certa liberdade dentro de mim, como se alguma carga tivesse me deixado. Eu senti um profundo alívio, como se tivesse me tornado livre”.
Naquele momento, ele se tornou consciente de uma segunda camada de seu sentimento. Externamente ele estava chorando e pranteando e dizendo: “Eu não posso viver sem ela. Agora será impossível, ou a vida será apenas como a morte. Mas bem fundo” – ele disse – “eu me tomei consciente de que estou me sentindo muito bem, que agora eu estou livre”.
Uma terceira camada começou a sentir culpa. Ela lhe dizia: “O que você está fazendo”? E um corpo morto estava deitado ali, bem à sua frente, ele me contou, e ele começou a sentir uma enorme culpa. Ele me disse: “Ajude-me. O que está acontecendo à minha mente? Eu a traí tão cedo”?
Osho, você disse que o amor pode nos tornar livres. Mas comumente nós vemos que o amor se torna apego, e ao invés de nos libertar ele nos torna mais amarrados. Assim, diga-nos alguma coisa sobre apego e liberdade.
O amor se torna apego, porque não existe nenhum amor. Você estava apenas num jogo, enganando a si mesmo. O apego é a realidade; o amor era apenas um prelúdio. Assim, sempre que você se apaixona, mais cedo ou mais tarde, você descobre que você se tornou um instrumento – e, então, toda a miséria começa. Qual é o mecanismo? Por que isso acontece?
Há alguns dias, um homem veio a mim e ele estava se sentindo muito culpado. Ele disse: “Eu amei uma mulher, eu a amei muito. No dia em que ela morreu, eu estava chorando e pranteando, mas de repente eu me tornei consciente de uma certa liberdade dentro de mim, como se alguma carga tivesse me deixado. Eu senti um profundo alívio, como se tivesse me tornado livre”.
Naquele momento, ele se tornou consciente de uma segunda camada de seu sentimento. Externamente ele estava chorando e pranteando e dizendo: “Eu não posso viver sem ela. Agora será impossível, ou a vida será apenas como a morte. Mas bem fundo” – ele disse – “eu me tomei consciente de que estou me sentindo muito bem, que agora eu estou livre”.
Uma terceira camada começou a sentir culpa. Ela lhe dizia: “O que você está fazendo”? E um corpo morto estava deitado ali, bem à sua frente, ele me contou, e ele começou a sentir uma enorme culpa. Ele me disse: “Ajude-me. O que está acontecendo à minha mente? Eu a traí tão cedo”?
Nada aconteceu; ninguém foi traído. Quando o amor se torna apego, ele se torna uma carga, uma escravidão. Mas por que o amor se torna um apego? A primeira coisa a ser entendida é que se o amor se torna um apego, você estava apenas em uma ilusão de que aquilo era amor. Você estava apenas brincando consigo mesmo e pensando que aquilo era amor. Na verdade, você estava necessitado de apego. E se você for ainda mais fundo, descobrirá que você estava também necessitando de se tornar um escravo.
Há um medo sutil da liberdade e todo mundo quer ser um escravo. Todo mundo, naturalmente, fala sobre liberdade, mas ninguém tem a coragem de ser realmente livre, porque quando você é realmente livre, você está só. Se você tem coragem de estar só, somente então, você pode ser livre.Mas ninguém é corajoso o suficiente para estar só. Você precisa de alguém. Por que você precisa de alguém? Você tem medo de sua própria solidão. Você se torna entediado consigo mesmo. E na verdade, quando você está sozinho, nada parece significativo. Com alguém, você fica ocupado e você cria significados artificiais à sua volta.
Você não pode viver para si mesmo; assim, você começa a viver para outra pessoa. E também é o mesmo caso com a outra pessoa: ele ou ela não pode viver sozinho; assim, ele está na busca para encontrar alguém. Duas pessoas que estão com medo de suas próprias solidões, reúnem-se e começam um jogo – um jogo de amor. Mas, bem no fundo, elas estão buscando apego, compromisso, escravidão.
Assim, mais cedo ou mais tarde, tudo o que você deseja acontece. Essa é uma das coisas mais lamentáveis no mundo. Tudo o que você deseja chega a acontecer. Você a terá mais cedo ou mais tarde e o prelúdio desaparecerá. Quando a sua função for cumprida, ele desaparecerá. Quando você se tornou uma esposa ou um marido, escravos um do outro, quando o casamento aconteceu, o amor desaparece, porque o amor era apenas uma ilusão na qual duas pessoas poderiam se tornar escravas uma da outra.
Diretamente você não pode pedir por escravidão; é muito humilhante. E diretamente você não pode dizer para alguém: “Torne-se meu escravo”. – …ele irá se revoltar. Nem você pode dizer: “Quero me tornar um seu escravo”; assim, você diz: “Eu não posso viver sem você”. Mas o significado está presente; é o mesmo. E quando isso – o desejo real – é preenchido, o amor desaparece. Então, você sente servidão, escravidão e, então, você começa a lutar para se tornar livre.
Lembre-se disso. Este é um dos paradoxos da mente: tudo o que você conseguir, você irá se aborrecer com aquilo, e tudo o que você não conseguir, você ansiará profundamente. Quando você está sozinho, você ansiará por alguma escravidão, alguma servidão. Quando você está em uma servidão, você começará a desejar liberdade. Na verdade, somente escravos desejam liberdade, e pessoas livres tentam novamente ser escravas. A mente continua como um pêndulo, movendo-se de um extremo ao outro.
O amor não se torna apego. O apego era a necessidade; o amor era apenas uma isca. Você estava a procura de um peixe chamado apego; o amor era apenas uma isca para pegar o peixe. Quando o peixe é apanhado, a isca é jogada fora. Lembre-se disso e, sempre que você estiver fazendo alguma coisa, vá fundo dentro de si mesmo para encontrar a causa básica.
Se existir amor real, ele nunca se tornará apego. Qual é o mecanismo para o amor se tornar apego? No momento em que você diz para seu amante ou amada “eu só amo você”, você começou a possuir. E no momento em que você possui alguém, você o insultou profundamente, porque você o tornou uma coisa.Quando eu o possuo, você não é uma pessoa então, mas apenas um item a mais dentre a minha mobília – uma coisa. Então, eu o uso e você é minha coisa, minha posse; assim, eu não permitirei que ninguém mais o use. Isso é uma barganha na qual eu sou possuído por você e você faz de mim uma coisa. Isso é uma barganha, que “agora” ninguém mais pode usá-lo. Ambos os parceiros se sentem atados e escravizados. Eu o tomo um escravo, então, você, em troca, faz de mim um escravo.
Então a luta começa. Eu quero ser uma pessoa livre e, ainda assim, eu quero que você seja possuído por mim; você quer manter a sua liberdade e, ainda assim, me possuir — esta é a luta. Se eu o possuo, eu serei possuído por você. Se eu não quero ser possuído por você, eu não deveria possuí-lo.
A posse não deveria entrar no meio. Nós devemos permanecer indivíduos e devemos nos mover como consciências independentes e livres. Nós podemos ficar juntos, nós podemos nos fundir um no outro, mas sem posse. Então, não há servidão e, então, não há apego.
O apego é uma das coisas mais feias. E quando eu digo “mais feia”, eu não quero dizer apenas religiosamente, eu quero dizer também esteticamente. Quando você está apegado, você perdeu a sua solidão, a sua solitude: você perdeu tudo. Apenas para se sentir bem – porque alguém precisa de você e alguém está com você – você perdeu tudo, perdeu a si mesmo.
Mas a armadilha é que você tenta ser independente e você torna o outro a posse – e o outro está fazendo a mesma coisa. Assim, não possua se você não quer ser possuído.
Jesus disse em algum lugar: “Não julgue para não ser julgado”. É a mesma coisa: “Não possua para não ser possuído”. Não faça de ninguém um escravo; do contrário você se tornará um escravo.
Os assim chamados mestres são sempre servos de seus próprios servos. Você não pode se tornar um mestre de alguém sem se tornar um servo – isso é impossível.
Você só pode ser um mestre quando ninguém é um servo para você. Isso parece paradoxal, porque quando eu digo que você só pode se tornar um mestre quando ninguém é um servo para você, você dirá: “Então o que é o mestrado? Como eu sou um mestre quando ninguém é um servo para mim”? Mas eu digo que somente então, você é um mestre. Então, ninguém é um servo para você e ninguém tentará torná-lo um servo.
Amar a liberdade, tentar ser livre, significa basicamente que você chegou a uma profunda compreensão de si mesmo. Agora, você sabe que você é suficiente para si mesmo. Você pode compartilhar com os outros, mas você não é dependente. Eu posso compartilhar a mim mesmo com alguém. Eu posso compartilhar o meu amor, eu posso compartilhar minha felicidade, eu posso compartilhar minha alegria, meu silêncio com alguém. Mas isso é um compartilhar, não uma dependência. Se não houver ninguém, eu estarei igualmente feliz, igualmente alegre. Se alguém está presente, isso também é bom e eu posso compartilhar.
Quando você perceber sua consciência interior, seu centro, somente então, o amor não se tornará um apego. Se você não conhecer seu centro interior, o amor se tornará um apego. Se você conhecer o seu centro interior, o amor se tornará uma devoção. Mas você deve primeiro estar presente para amar, e você não está.
Buda estava passando por um vilarejo. Um jovem veio até a ele e disse: “Ensine-me algo: como eu posso servir aos outros”?

Buda riu para ele e disse: “Primeiramente, seja. Esqueça os outros. Primeiramente, seja você mesmo e, então, todas as coisas se seguirão”.
Exatamente agora você não é. Quando você diz “quando eu amo alguém isso se torna um apego”, você está dizendo que você não é; assim, tudo o que você faz dá errado, porque o fazedor está ausente. O ponto interior de consciência não está presente; assim, tudo o que você faz, dá errado. Primeiro seja e, então, você pode compartilhar seu ser. E esse compartilhar será amor. Antes disso, tudo o que você fizer se tornará um apego.
E, por último: se você está lutando contra o apego, você tomou uma direção errada. Você pode lutar. Assim, muitos monges – reclusos, sannyasins – estão fazendo isso. Eles sentem que estão apegados às suas casas, às suas propriedades, às suas esposas, aos seus filhos e eles se sentem engaiolados, aprisionados.
Eles fogem, deixam suas casas, deixam as suas esposas, deixam seus filhos e posses e eles se tornam mendigos e escapam para a floresta, para a solidão. Mas vá lá e observe-os. Eles se tornaram apegados aos seus novos arredores.
Eu estive visitando um amigo que estava em uma vida reclusa embaixo de uma árvore em uma floresta densa, mas havia outros ascetas também. Um dia, aconteceu de eu estar com esse recluso embaixo de sua árvore e um novo buscador ter vindo enquanto meu amigo estava ausente. Ele tinha ido ao rio tomar um banho. Embaixo de sua árvore o novo sannyasin começou a meditar.
O homem voltou do rio e empurrou o novato da árvore, e disse: “Esta é minha árvore. Vá e encontre outra, em algum outro lugar. Ninguém pode se sentar sob a minha árvore”. E esse homem tinha deixado a sua casa, a sua esposa, os seus filhos. Agora a árvore se tornou uma posse – você não pode meditar embaixo da árvore dele.
Você não pode escapar tão facilmente do apego. Ele tomará novas formas, novos contornos. Você será enganado, mas ele estará presente. Assim, não lute com o apego, apenas tente entender por que ele existe. E, então, conheça a causa profunda: devido a você não ser, esse apego existe.
Dentro de você, o seu próprio ser está tão ausente, que você tenta se apegar a qualquer coisa a fim de se sentir a salvo. Você não está enraizado; assim, você tenta fazer de qualquer coisa às suas raízes. Quando você está enraizado em seu ser, quando você sabe quem você é, o que é esse ser que está dentro de você e o que é essa consciência que está em você, então, você não se apegará a ninguém.
Isso não significa que você não amará. Na verdade, somente então, você pode amar, porque então o compartilhar é possível – e sem nenhuma condição, sem nenhuma expectativa. Você simplesmente compartilha, porque você tem uma abundância, porque você tem tanto que está transbordando.
Esse transbordamento de si mesmo é amor. E quando esse transbordamento se torna uma enchente, quando, por seu próprio transbordamento, o universo inteiro é preenchido e seu amor toca as estrelas, em seu amor a terra se sente bem e em seu amor todo o universo é banhado; então, isso é devoção.
Osho, em “O Livro dos Segredos”












